O desafio da interculturalidade

O meu primeiro artigo de 2015 para o portal Carreira Brasil infelizmente usa um tema que eu estudo e adoro compartilhar para tratar de uma grave situação que vivemos no mundo atualmente: a intolerância. Desde que entrei na faculdade, passando por experiências múltiplas de relacionamento e adaptação cultural em lugares diferentes, resolvi abraçar o que já fazia parte da minha vida para me desenvolver profissionalmente. Conheci o termo interculturalidade em 2007, quando comecei a pesquisar as primeiras referências para escrever meu trabalho de conclusão de curso. Desde então, me esforcei para entender o conceito e tentar aplicá-lo no meu dia a dia.

A mudança de cidade, estado e região fez muito bem para meu amadurecimento e formação. Quando há possibilidade de imergir na cultura de um determinado lugar, com o tempo vamos nos despindo de preconceitos, julgamentos levianos e vamos nos abrindo às oportunidades e às pessoas. Eu posso dizer que a pessoa que eu sou hoje foi moldada com as experiências vividas em Belém, em todos os aspectos. Adquire-se a habilidade de buscar a compreensão do pensamento do outro considerando ambiente, influências e vivências anteriores de cada um.

A interculturalidade funciona bem com quem capta de forma positiva sua importância no mundo atual. Nunca foi tão difícil ser, viver e pensar diferente como nos dias de hoje. O que deveria significar um grande momento para aprendizados, se tornou justificativa para atos de violência, intolerância e ignorância. Pensar de maneira intercultural nos força a desenvolver empatia, ainda que não se queira ser empático.  Se não há espaço para ouvir e entender o outro, impossível estabelecer algum tipo de relação. Isso nos negócios é regra. Toda relação de troca, negociação, venda exige calma, disposição em perceber os potenciais de ambas as partes. Fazer bons negócios pressupõe saber ouvir e saber conviver.

Sem dúvida, o maior desafio da interculturalidade é ter pessoas dispostas a utilizá-la para os negócios e para a vida. Esse é o caminho mais tortuoso de viver a globalização e se tornar alguém globalizado, de corpo, mente, alma e coração.

 

Marcela Brito é secretária executiva trilíngue especializada em Gestão de Negócios, trabalha em uma empresa pública, é consultora de carreira e sócia da Iventys. É fascinada pelas relações de trabalho e amizade que surgem por meio da internet e pela possibilidade de realizar sonhos a partir de grandes obstáculos. Possui um blog sobre carreira e mercado de trabalho, é co-criadora do portal Carreira Brasil e autora do livro “Secretariado intercultural: como auxiliar empresas e profissionais em negócios no exterior”.

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